Por dias estive fora.
Deixei o blog a esperar.
Num dia desses me fiz perguntar:
Quando as palavras hão de voltar?
Sei não, respondi.
É que agora meu pensar é também nordestino, tem outro acento, outro tempo.
Hum, não me convenci.
Tenho saudade de as pronunciar.
Tão bom ter que fazer a língua pular os erres,
ouvir o sibilar dos esses.
Este perder-se de si... hum
Este gostinho, hum
Este deleite, hum
Desfazer-se .... derreter, amolecer, escorrer por aí, hum....
Mas o dionísio que me arrastou,
agora já pede outras coisas,
já quer meu corpo outra vez,
já procura palavras em mim.
Fiquei eu a me esperar.
Ele, impaciente, quer palavras para amar.
Quer um corpo tocar.
Justo, muito justo.
Aqui estão. Aqui estou dionisio.
Venha. Dou-lhe um corpo em muitas palavras.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Fio da Vida
Fedra e suas agonias.
Suspiros dedicados à Hipólito.
Vida habitada por amas e servos,
vozes do Coro.
- Tanta interferência!
Disputas, ressentimentos, virtude.
Deuses entre homens.
O reverso da aventura.
Sem minotauro,
sem Ariadne, sem fio de ouro
Teseu corta o fio da vida
plena.
domingo, 15 de abril de 2012
Vida material, palavras ao léu.
Vida material,
dias sem palavras
Dias fora do papel.
Vida material,
dias de clausura,
Palavras ao léu.
Vida material,
dias de exaustão,
Silêncios, turbilhão.
Vida material,
agonizam as palavras
Fora do papel.
terça-feira, 10 de abril de 2012
O afiador de facas
Hoje pela manhã passou por aqui o afiador de facas.
Tão acolhedor este som.
Generosos e conhecidos sons.
Correria e falação dentro de casa.
Portões de ferro rangendo. Vizinhas
a chamar por sobre os muros.
Pedidos de solidariedade e paciência.
Há muito o
que afiar: facas de carne, alicates de unhas, tesouras de costura, tesouras de
cortar grama, de podar rosas e outros instrumentos de cortar e cozer.
Vozerio de crianças em procissão. Todos querem ver o espetáculo.
Duas esferas giram. Uma grande, outra menor. Uma ao lado da outra, uma quase junto da outra!
As esferas e a bicicleta amarela sob um pé, em pirâmide, amolam as facas pra lá
e prá cá, prá lá e prá cá.... faca por faca, tesoura por tesoura.
E o afiador? Pedala, pedala e segue sua procissão de fazer amolar nossos
sentidos com aquele som desafiador.
Sim, e tudo isto porque passou aqui, agora, o vendedor de Cuzcuz de
Taaaapiooooooca!
Porto Alegre, Salvador.
Tão longe, tão perto.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Vida Vegetal ou Palavras de Papel
Palavras,
hum, as palavras.
Grande e delicioso corpo.
Gênero de coisa que tudo acolhe.
Ah, as palavras.
Fragmento. Pedaço de vida. Forma.
Ah, quantas palavras.
Em mantos de pano, cascas de árvore.
Hum, as palavras.
Lugar de experimentos.
Vida vegetal.
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