Frases de amor
em guardanapos de papel.
Uma experimentação gostosa,
casual e excitante.
Abre a fantasia dos encontros.
Fui à Sampa nestes dias
Adoro aquela estética urbana
Ruas, ruas, ruas.
Calçadas razoavelmente amplas
para os caminhantes.
Moradas, árvores,
travessias apressadas nas faixas de segurança.
Andar perdido de uns e outros.
Há também os sem rumo nestas
metrópolis de pedra.
Adoro pedras
São criaturas expressivas.
Tem pedras lindas na costa de Santa Catarina
Guarda do Embaú à Pinheira,
Costeira de Zimbros e outras Ilhas de Bombinhas.
O taxista que me levou ao aeroporto disse:
- "Moça eu fui na manifestação (em Salvador). Mas o que os policiais fizeram
é injusto. Botamos as crianças na frente, depois as mulheres,
os homens e os jovens. Era para eles verem que era sem provocação,
queríamos nos manifestar. Mas eles jogaram bombas de gás
na direção das crianças e mulheres. Jogamos pedras neles.
Eu joguei muito paralelepípedo neles...".
Parece que estamos vivendo um Django à brasileira.
Quentin Tarantino deveria tirar umas férias por aqui.
Brunilde, a bela Democracia de Direitos, acendeu
o coração de muitos brasileiros.
Se os corações seguirem Tarantino
a aventura será sem piedade, com humor fino e desagradará muitos.
Vigiar será preciso. Há muitos cumprindo com vigor
o papel de Samuel L. Jackson em Django.
Bom, um chopp e conversas com os amigos
é uma boa pedida para estes dias.
Turbilhão gostoso este que interroga o estabelecido,
descontinua a política das explicações declaratórias
adotada pelos governantes atuais.
Tédio é o que nos propõem.
Bilhetes de amor, também, têm seu valor.
Os revolucionários que o digam: Mário e Cosette,
Giuseppe e Anita Garibaldi, Apolônio e René de Carvalho, Betinho (Herbert de Souza) e Maria.
domingo, 30 de junho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Os dias e a aridez
Os últimos dias foram áridos.
Talvez seja a vida do mundo
ao redor agonizando.
Talvez a atmosfera de crise
que se desenha em nosso país.
Ou as profecias de
um mundo pior realizando-se.
Certo é que os dias andam áridos.
Talvez seja a seca do sertão rumando ao litoral.
A rudeza das palavras endurecendo os dias.
A morte dos corpos, dia a dia.
A ânsia por um lugar no mundo.
Ou o medo de tudo.
Certo é que os dias e a aridez estão de prosa.
Um gole pro santo outro pro canto.
Uma história daqui outra de acolá.
Olhos atentos, gestos marcados.
Pulso preso à palavra, beiço na borda do copo.
Sei não no que isto vai dar.
Talvez seja um parleur pra negociar.
Um acerto de contas.
Um reencontro.
Um crime por encomenda.
Certo é que os dias e a aridez
estão a conversar.
sábado, 1 de junho de 2013
O afiador de facas, Mário Quintana e um vestido de Chitão chique
Ontem passou por aqui o afiador de facas.
Empurrava
à moda de um carrinho de mão,
a roda de afiar
Será que ele perdeu uma das rodas no tempo de sua existência?
Desde quando existem afiadores de facas?
Não sei.
Estranhei a imagem.
Um afiador de facas que caminha!
Para mim afiadores de facas
pedalam, apitam e afiam as facas.
Tudo e uma mesma coisa.
Voltei ao meu vestido novo.
Passar cuidadosamente a dobra lateral do tecido.
Passar o ziguezague num lado, no outro...
Vincar bem a dobra do tecido para fixar o zipper.
Alfinetar o artefacto. Alinhavá-lo cuidadosamente.
Costurar, só depois de trocar o pé caldador.
Uma amiga me disse que escrevo crônicas ótimas.
Adorei. Sempre quis ser como Clarice de Aprendendo a Viver.
Fazer do viver diário uma arte.
Mas quanto desassossego é preciso para escrever bem?
Não sei.
Pensei em fazer uma crônica destes dias.
Depois esqueci o que iria escrever.
Voltei à máquina de costura.
Quero terminar um vestido.
Estou testando um evasê em chitão, bem florido e colorido.
A tesoura não cortou direito.
Lembrei do afiador de facas.
Quando será que ele vai passar aqui de novo?
Preciso terminar de ler o
Relato de Arthur Gordon Pym de Allan Poe.
Sempre achei que Moby Dick fosse a obra de aventuras no mar.
Descobri que Melville se inspirou em Gordon Pym de Allan Poe.
Pode? Agente nunca sabe nada.
Melhor se conformar.
Adoro Allan Poe.
Conheço mais seus contos fantásticos.
Por sinal, saiu uma edição linda de seus contos pela Tordesilhas:
Contos de Imaginação e Mistério.
Fiquei com uma vontade de comprar...
Mas tenho várias edições diferentes dos contos dele.
Sempre leio de novo.
Tradução diferente pode surpreender.
Também vi Leminsky na Cultura.
A capa está a cara dele.
Melhor, o bigode dele.
Despojado e provocador, como seus poemas.
Tem alguns poetas que a marca é
nos surpreender.
Quando você pensa que os decodificou
eles mudam o rumo, a prosa, a métrica,
o ritmo...mudam.
Um encontro novo a cada obra.
Leminsky é assim.
Ao menos o que eu li dele.
Depois de Gordon Pym já aviso
que não sei de nada.
Se bem que misturo Leminsky com Walt Whitman.
Assim como Fernando Pessoa e Paulo Autran.
É que conheci Whitman através de Leminsky e
ouvi muita poesia de Pessoa na voz de Autran.
Só conheci, por ele mesmo, Mário Quintana.
Mesmo assim, eu achava estranho um senhor bem velho escrever
um livro chamado Sapato Florido.
Como podia ser? Me soava muito estranho à época.
Não que os poetas e suas artes tenham idade.
Mas minha juventude não encontrava entre imagem e som um
ponto de ancoragem.
Quando chegar em casa vou escrever.
Que nada!
Experimentei o vestido. Ficou bom.
Falta colocar uma renda na barra do forro.
Vai ficar chique.
Um vestido de chitão chique.
Vou trabalhar com ele amanhã.
É que estou pensando que hoje é domingo.
Mas hoje é sábado.
Tão bom.
Chitão pega bem o corte.
Imagem e molde se ajustam,
juntam-se como um só.
Acho que, enfim, não estranhei
ideia e imagem.
O vestido parece que segue as linhas do meu corpo.
Meu corpo parece que modela o vestido.
Empurrava
à moda de um carrinho de mão,
a roda de afiar
Será que ele perdeu uma das rodas no tempo de sua existência?
Desde quando existem afiadores de facas?
Não sei.
Estranhei a imagem.
Um afiador de facas que caminha!
Para mim afiadores de facas
pedalam, apitam e afiam as facas.
Tudo e uma mesma coisa.
Voltei ao meu vestido novo.
Passar cuidadosamente a dobra lateral do tecido.
Passar o ziguezague num lado, no outro...
Vincar bem a dobra do tecido para fixar o zipper.
Alfinetar o artefacto. Alinhavá-lo cuidadosamente.
Costurar, só depois de trocar o pé caldador.
Uma amiga me disse que escrevo crônicas ótimas.
Adorei. Sempre quis ser como Clarice de Aprendendo a Viver.
Fazer do viver diário uma arte.
Mas quanto desassossego é preciso para escrever bem?
Não sei.
Pensei em fazer uma crônica destes dias.
Depois esqueci o que iria escrever.
Voltei à máquina de costura.
Quero terminar um vestido.
Estou testando um evasê em chitão, bem florido e colorido.
A tesoura não cortou direito.
Lembrei do afiador de facas.
Quando será que ele vai passar aqui de novo?
Preciso terminar de ler o
Relato de Arthur Gordon Pym de Allan Poe.
Sempre achei que Moby Dick fosse a obra de aventuras no mar.
Descobri que Melville se inspirou em Gordon Pym de Allan Poe.
Pode? Agente nunca sabe nada.
Melhor se conformar.
Adoro Allan Poe.
Conheço mais seus contos fantásticos.
Por sinal, saiu uma edição linda de seus contos pela Tordesilhas:
Contos de Imaginação e Mistério.
Fiquei com uma vontade de comprar...
Mas tenho várias edições diferentes dos contos dele.
Sempre leio de novo.
Tradução diferente pode surpreender.
Também vi Leminsky na Cultura.
A capa está a cara dele.
Melhor, o bigode dele.
Despojado e provocador, como seus poemas.
Tem alguns poetas que a marca é
nos surpreender.
Quando você pensa que os decodificou
eles mudam o rumo, a prosa, a métrica,
o ritmo...mudam.
Um encontro novo a cada obra.
Leminsky é assim.
Ao menos o que eu li dele.
Depois de Gordon Pym já aviso
que não sei de nada.
Se bem que misturo Leminsky com Walt Whitman.
Assim como Fernando Pessoa e Paulo Autran.
É que conheci Whitman através de Leminsky e
ouvi muita poesia de Pessoa na voz de Autran.
Só conheci, por ele mesmo, Mário Quintana.
Mesmo assim, eu achava estranho um senhor bem velho escrever
um livro chamado Sapato Florido.
Como podia ser? Me soava muito estranho à época.
Não que os poetas e suas artes tenham idade.
Mas minha juventude não encontrava entre imagem e som um
ponto de ancoragem.
Quando chegar em casa vou escrever.
Que nada!
Experimentei o vestido. Ficou bom.
Falta colocar uma renda na barra do forro.
Vai ficar chique.
Um vestido de chitão chique.
Vou trabalhar com ele amanhã.
É que estou pensando que hoje é domingo.
Mas hoje é sábado.
Tão bom.
Chitão pega bem o corte.
Imagem e molde se ajustam,
juntam-se como um só.
Acho que, enfim, não estranhei
ideia e imagem.
O vestido parece que segue as linhas do meu corpo.
Meu corpo parece que modela o vestido.
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