Num dia desses uma amiga levou um tremendo susto.
Depois ela escreveu contanto a história.
Quando falou do medo que sentiu fiquei pensando
Isto é uma forma de viver.
Vejam, ela teve medo, muito medo.
Mas sua escrita não fala com horror do medo,
com ânsia de desfazer-se do medo.
Ela fala da presença do medo.
Uma presença como outras.
A presença da expectativa de uma festa
de casamento que se aproxima,
A presença de uma amigo que a visita,
O sabor de uma comida.
Ela fala do medo sem medo do medo.
Seu medo é da doença e sua força.
O medo, na sua escrita, é uma presença.
Ela diz: "O medo estava ali, nem no fundo, nem no raso, nadava tranquilamente".
Gostei muito desse jeito de falar do medo.
Sempre fico pensando que o medo
deve ter muito medo da gente.
Ele dá um pequeno sinal de vida e é histeria geral.
Choros, gritos, gestos grandes, vozerios soltos.
Ele deve ter gostado muito.
Ela o deixou nadando tranquilamente.
Gente, o medo deve ter esquecido de si.
Penso até que a partir de hoje ele nem vai
mais se assustar com os sustos que provoca.
Vai sair pra nadar enquanto o povo corre por aí.
Só não achei bom para mim..
Eu na piscina a dar braçadas e de repente...
o medo a nadar tranquilamente.
Faço eu o que com o meu medo de nadar?
domingo, 12 de maio de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Camile Claudel ou Pensar por Imagens
Então.
Tenho pensado muito nestes dias.
Mas é um pensamento silêncio.
É um pensar por imagens.
Fui ver o filme sobre Camile Claudel.
É sóbrio.
Tem o fundo amarelo, como a luz de vela
e o preto da solidão sem luxos.
É casto.
Acho que é isto. Tiraram toda
a libido de viver de Camile.
Eu tinha uma gata linda.
O nome dela era Camile Claudel.
A veterinária riu quando escreveu seu nome na caderneta de vacinação.
Raça: Pelo curto brasileiro. Vulgo, pé duro.
Eu a peguei da rua. Estava com fome.
Dei comida e ela ficou.
Tão linda.
Deu muitas crias. Era namoradeira como o quê.
Depois ela morreu. Foi triste.
A Camile do filme impressiona.
A expressão do rosto é de mulher.
Faces bem marcadas. Bonitas, mas marcadas.
Não havia loucura em suas faces.
Havia solidão. Muita solidão.
Nenhum excesso em seu rosto.
Apenas solidão.
O filme é corajoso.
Deixa o expectador ver o que Camile vê.
Mesmo que Camile queira ver outra coisa,
há que ver o que pode ver.
Galhos secos de uma árvore,
uma horta e freiras de capote preto.
O som do filme perturba.
Escuta-se sua força nas coisas que toca.
Acho que a libido do filme está no vento.
E nas pedras. Há muitas pedras.
Pedras brancas opõe-se aos
passos dos personagens.
Acho que ainda estou pensando.
Talvez eu reescreva este texto.
Talvez fique como Camile.
Aceitando que este é o limite.
Tenho pensado muito nestes dias.
Mas é um pensamento silêncio.
É um pensar por imagens.
Fui ver o filme sobre Camile Claudel.
É sóbrio.
Tem o fundo amarelo, como a luz de vela
e o preto da solidão sem luxos.
É casto.
Acho que é isto. Tiraram toda
a libido de viver de Camile.
Eu tinha uma gata linda.
O nome dela era Camile Claudel.
A veterinária riu quando escreveu seu nome na caderneta de vacinação.
Raça: Pelo curto brasileiro. Vulgo, pé duro.
Eu a peguei da rua. Estava com fome.
Dei comida e ela ficou.
Tão linda.
Deu muitas crias. Era namoradeira como o quê.
Depois ela morreu. Foi triste.
A Camile do filme impressiona.
A expressão do rosto é de mulher.
Faces bem marcadas. Bonitas, mas marcadas.
Não havia loucura em suas faces.
Havia solidão. Muita solidão.
Nenhum excesso em seu rosto.
Apenas solidão.
O filme é corajoso.
Deixa o expectador ver o que Camile vê.
Mesmo que Camile queira ver outra coisa,
há que ver o que pode ver.
Galhos secos de uma árvore,
uma horta e freiras de capote preto.
O som do filme perturba.
Escuta-se sua força nas coisas que toca.
Acho que a libido do filme está no vento.
E nas pedras. Há muitas pedras.
Pedras brancas opõe-se aos
passos dos personagens.
Acho que ainda estou pensando.
Talvez eu reescreva este texto.
Talvez fique como Camile.
Aceitando que este é o limite.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Coisas de mulher, só para a vovó.
O silêncio também é uma conversa.
Fabular, falar consigo e com os que nos habitam pela memória
é também uma experiência de valor e não nega a outrem.
Os silêncios fazem expandir a existência.
Eu estou por aqui.
Muitas coisas boas no trabalho.
Amigos novos, amigos antigos, projetos com boas parcerias. Enfim, dias povoados.
Entre isto, corte e costura.
Uma amiga diz que sou "modista". Rimos muito juntas.
Uma saia nova por semana.
Meu primeiro vestido está quase pronto.
Todo alinhavado e feito num tecido que na linguagem local chama-se "caça bordado",
em linguagem gaúcha made in french fala-se broderie.
Estou adorando.
Sempre quis fazer minhas roupas, mas ser independente envolvia outras aprendizagens.
Coisas de mulher, só para a vovó.
No mais, pequenas alegrias: Choveu, enfim, hoje e quarta-feira passada. Choveu muito!!
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Quantas histórias!
Num dia desses depois de ler o escrito de uma amiga
dei nome para uma forma de viver que me define: Adoro ouvir histórias.
Realmente, adoro ouvir histórias.
Cresci ouvindo histórias.
Algumas contadas por meu pai sobre o lugar em que ele nasceu.
A lua cheia numa madrugada na qual se iniciava uma colheita de aipim,
As jornadas de homens sobre burros levando mantimentos às cidades próximas,
Trilhas na borda das serras do mar,
Lagoas. Lindas lagoas no topo das serras e em seus entremeios
Patos, marrecos e outros a entrar e sair de águas.
Uma parte dessas histórias eram contadas ao vivo,
em passeios por esses lugares.
A grande serra vista de longe se apresentava ao olhar num azul escuro.
Uma imagem que ainda procuro noutras montanhas.
Aprendi a ser contemplativa nesses caminhos.
Lírios de São José cheirosíssimos em estradas de terra.
Cabeças e mãos para fora do carro
Gritos, alaridos e gracejos entre crianças
Muita confusão.
Rios de pedra com água rasa.
Lindos, com águas limpas faziam as brincadeiras e correrias da meninada.
No inverno eram águas grossas, velozes e volumosas.
Traziam a inundação depois da chuva.
Uma ponte pênsil testemunhava as histórias e bravatas
dos narradores.
Bem, isto tudo porque um amigo me deu um livro de poesia.
Estou lendo ainda,
Mas sua escrita tem um jeito de contar histórias
sem imagem que faz imagem.
Algo como fazer ver a vida na vida acadêmica.
É que ele os escreveu conectado ao cotidiano universitário:
pesquisa, ensino, formação pós-graduada.
É preciso contar histórias.
Transcrevo fragmentos do título Impulsos estudados:
"De quem batalha com seu discurso
como quem rala com seu corpo".
(...)
"Feia e nova nasce a ideia.
Bela porém velha passa a imagem".
(...)
"Se puder escreva, não vale a pena ficar encucado.
Toda palavra foi inventada dentro de alguma luta".
Francisco Zorzo, 2003
dei nome para uma forma de viver que me define: Adoro ouvir histórias.
Realmente, adoro ouvir histórias.
Cresci ouvindo histórias.
Algumas contadas por meu pai sobre o lugar em que ele nasceu.
A lua cheia numa madrugada na qual se iniciava uma colheita de aipim,
As jornadas de homens sobre burros levando mantimentos às cidades próximas,
Trilhas na borda das serras do mar,
Lagoas. Lindas lagoas no topo das serras e em seus entremeios
Patos, marrecos e outros a entrar e sair de águas.
Uma parte dessas histórias eram contadas ao vivo,
em passeios por esses lugares.
A grande serra vista de longe se apresentava ao olhar num azul escuro.
Uma imagem que ainda procuro noutras montanhas.
Aprendi a ser contemplativa nesses caminhos.
Lírios de São José cheirosíssimos em estradas de terra.
Cabeças e mãos para fora do carro
Gritos, alaridos e gracejos entre crianças
Muita confusão.
Rios de pedra com água rasa.
Lindos, com águas limpas faziam as brincadeiras e correrias da meninada.
No inverno eram águas grossas, velozes e volumosas.
Traziam a inundação depois da chuva.
Uma ponte pênsil testemunhava as histórias e bravatas
dos narradores.
Bem, isto tudo porque um amigo me deu um livro de poesia.
Estou lendo ainda,
Mas sua escrita tem um jeito de contar histórias
sem imagem que faz imagem.
Algo como fazer ver a vida na vida acadêmica.
É que ele os escreveu conectado ao cotidiano universitário:
pesquisa, ensino, formação pós-graduada.
É preciso contar histórias.
Transcrevo fragmentos do título Impulsos estudados:
"De quem batalha com seu discurso
como quem rala com seu corpo".
(...)
"Feia e nova nasce a ideia.
Bela porém velha passa a imagem".
(...)
"Se puder escreva, não vale a pena ficar encucado.
Toda palavra foi inventada dentro de alguma luta".
Francisco Zorzo, 2003
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Adoro ouvir histórias
Gosto de abrir o e-mail, ler as mensagens, respondê-las...
Feito isto fico meio sem saber o que fazer.
Feito isto fico meio sem saber o que fazer.
Em seguida me dou conta de que este meu vagar pelas
mensagens,
o deslizar para páginas habituais e o retorno para a caixa
de e-mails é um certo vagar pela estante de livros.
Revisitar o prazer dessa
experiência nas bibliotecas de bairro, na escola, na universidade.
O silêncio necessário, os cochichos, os apelos, os encontros
entre as estantes, os livros que sequer conhecíamos e parecem contar uma
história que precisamos saber agora. A magia das histórias nos livros.
Hoje li uma história ótima que me rendeu dar nome para este
vagar entre mensagens.
A história se passa num trem, na Alemanha e cuja principal
personagem é inspirada em
Baudelaire: uma senhorinha. A contadora de causos, uma flâneur do vinte e um.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Ontem organizei a estante de livros de literatura
Ontem organizei a estante de livros de literatura.
Sempre que faço isto é como se as histórias ali contadas
ganhassem vida de novo em mim.
As impressões da primeira leitura
apresentam-se e conversam entre si.
Sou um semi vivente neste burburinho de vozes e narrativas.
Minha atenção está em arranjar beleza,
forjar uma arquitetura para a disposição dos volumes.
Vejam que não é arquivologia o ato.
É necessidade de beleza.
Os personagens falam a olhos vistos
se tiverem espaço, se forem vistos.
Assim, me perco
nesta quase aventura
de fazer o olhador ser capturado pela tagarelice das palavras escritas.
Há brochuras várias, cores muitas, tamanhos diversos,
grafismos, traços, impressões, imagens ...
É impressionante isto. Os livros gostam de serem olhados!
Isto não é uma teoria é uma experiência.
Clarice Lispector na Hora da Estrela diz: Sentir é um fato. Pensar é um ato.
Os livros, quando olhados, fabricam um ethos.
Mas isto é um pensamento, um ato.
Não nos ocupemos agora com teorias.
Os livros gostam mesmo é de serem olhados.
Ah, os livros ...
Ontem organizei os livros de literatura,
hoje fiz meu chimarrão, sentei junto a estante de livros
fiquei olhando, olhando, olhando
Estou, ainda, olhando.
É bom de mais olhar os livros!
Sempre que faço isto é como se as histórias ali contadas
ganhassem vida de novo em mim.
As impressões da primeira leitura
apresentam-se e conversam entre si.
Sou um semi vivente neste burburinho de vozes e narrativas.
Minha atenção está em arranjar beleza,
forjar uma arquitetura para a disposição dos volumes.
Vejam que não é arquivologia o ato.
É necessidade de beleza.
Os personagens falam a olhos vistos
se tiverem espaço, se forem vistos.
Assim, me perco
nesta quase aventura
de fazer o olhador ser capturado pela tagarelice das palavras escritas.
Há brochuras várias, cores muitas, tamanhos diversos,
grafismos, traços, impressões, imagens ...
É impressionante isto. Os livros gostam de serem olhados!
Isto não é uma teoria é uma experiência.
Clarice Lispector na Hora da Estrela diz: Sentir é um fato. Pensar é um ato.
Os livros, quando olhados, fabricam um ethos.
Mas isto é um pensamento, um ato.
Não nos ocupemos agora com teorias.
Os livros gostam mesmo é de serem olhados.
E eu necessito mesmo é de beleza pra viver.
Ah, os livros ...
Ontem organizei os livros de literatura,
hoje fiz meu chimarrão, sentei junto a estante de livros
fiquei olhando, olhando, olhando
Estou, ainda, olhando.
É bom de mais olhar os livros!
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Um corpo para tocar, palavras para amar
Por dias estive fora.
Deixei o blog a esperar.
Num dia desses me fiz perguntar:
Quando as palavras hão de voltar?
Sei não, respondi.
É que agora meu pensar é também nordestino, tem outro acento, outro tempo.
Hum, não me convenci.
Tenho saudade de as pronunciar.
Tão bom ter que fazer a língua pular os erres,
ouvir o sibilar dos esses.
Este perder-se de si... hum
Este gostinho, hum
Este deleite, hum
Desfazer-se .... derreter, amolecer, escorrer por aí, hum....
Mas o dionísio que me arrastou,
agora já pede outras coisas,
já quer meu corpo outra vez,
já procura palavras em mim.
Fiquei eu a me esperar.
Ele, impaciente, quer palavras para amar.
Quer um corpo tocar.
Justo, muito justo.
Aqui estão. Aqui estou dionisio.
Venha. Dou-lhe um corpo em muitas palavras.
Deixei o blog a esperar.
Num dia desses me fiz perguntar:
Quando as palavras hão de voltar?
Sei não, respondi.
É que agora meu pensar é também nordestino, tem outro acento, outro tempo.
Hum, não me convenci.
Tenho saudade de as pronunciar.
Tão bom ter que fazer a língua pular os erres,
ouvir o sibilar dos esses.
Este perder-se de si... hum
Este gostinho, hum
Este deleite, hum
Desfazer-se .... derreter, amolecer, escorrer por aí, hum....
Mas o dionísio que me arrastou,
agora já pede outras coisas,
já quer meu corpo outra vez,
já procura palavras em mim.
Fiquei eu a me esperar.
Ele, impaciente, quer palavras para amar.
Quer um corpo tocar.
Justo, muito justo.
Aqui estão. Aqui estou dionisio.
Venha. Dou-lhe um corpo em muitas palavras.
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